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Catarina, fala e conta.

Um acervo de idéias e palavras soltas sobre a vida de uma universitária ora dona de casa ora saqueadora de bibliotecas.

Metendo a colher na sopa dos outros

O que acontece quando aquele casal que todo mundo achava super legal e que era exemplo nas rodas de amigos se separa? Será o fim do amor romântico? Você acha que eles devam continuar juntos porque você precisa ver eles juntos? Vamos meter a colher nesta sopa que não é nossa e conversar sobre os términos – dos outros, claro.

Eles eram o casal 20 no circulo de amizades. Sério, estilo capa de revista mesmo. Tinham aquele ar de família de comercial de margarina e não tem como não imaginar que eles nasceram um para o outro, isso está estampado na cara dos dois. Ai vem a surpresa, eles terminam… MAS QUE HORROR, COMO ASSIM ELES TERMINARAM?!?

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Angelina Jolie e Brad Pitt separam-se ainda no ano passado e a comoção causada nos fãs ofuscou e até disfarçou os motivos que levaram ao fim.

Infelizmente (ou não) aquele casal super massa que parecia “O casal” não é mais um casal e nós temos que aprender a lidar com esta nova situação, que muitas vezes pode ir do constrangedor até o normal.

Toda a situação é nova: os amigos não sabem muito bem como agir, os familiares ficam se perguntando e o ex-casal fica todo perdido entre a dor do término e a pressão feita por todos aqueles amigos, familiares e até o todo da sociedade – este último atingindo principalmente a mulher já que a sociedade em seu formato patriarcal exige que ela tenha um homem E um marido, independente do que ele possa fazer -. Porém é nesse estranhamento que vemos dois comportamentos se destacarem: um onde os terceiros simplesmente aceitam a decisão dos dois e segue-se a vida e outro quando não aceitam e tentam a todo custo juntar novamente os dois.

Este segundo comportamento mostra-se extremamente tóxico e desrespeitoso, afinal de contas, uma relacionamento é bem mais do que nós mostramos para os outros e definitivamente, as motivações para o fim cabem somente para os dois. Meter a colher pode parecer divertido e muitas vezes é necessário – lembrando os casos de violência domésticas – mas acaba transformando o que poderia ser um término normal em algo escandaloso, dramático e traumático, que pode ainda fazer com que o casal (ou ex-casal) mantenha-se em uma relação infeliz somente para agradar à outros.

Os números de violência domésticas registrados no Brasil sobem a cada dia. Hoje estima-se que a cada 9 minutos uma mulher é agredida, contudo muitas destas mulheres preferem continuar em relacionamentos abusivos porque o controle financeiro e as violências psicológicas/emocionais as impede de terminar. Julgar uma mulher por escolher se separar – seja pelo motivo que for – é permitir e incentivar que relacionamentos abusivos continuem.

O melhor a fazer nestes casos é ouvir as pessoas e apoiar suas decisões porque ao meter a colher deste jeito aparenta que estamos mais interessados em nossa própria felicidade ao ver aqueles dois juntos do que saber se ambos estão realmente felizes no relacionamento. É muita inocência nossa – e um pouco de sentimento de superioridade – acreditar que sabemos melhor do relacionamento do outro a ponto de escolher porque e quando eles devem ou não terminar.

Relacionamentos não são simples, pessoas não são simples. Pare de se meter na vida alheia

 Sendo assim, paremos de mete a colher na sopa alheia. Respeitemos nossos amigos, eles devem saber o que fazem com a própria vida e sigamos em frente apesar dos finais.

Razão

Tu tem razão de querer ir… Realmente, não sou mais eu mesma. 

 Em algum momento nesse um ano deixei de fazer os meus planos, parei de correr atrás dos meu sonhos sonhos e de planejar algo para mim mesma. Tua presença me deixou tão confortável, mas tão confortável, que eu simplesmente parei de querer algo a mais para mim: tu me bastava. Na vida. No presente. No futuro.  

 Não existia mais na minha cabeça um eu vou sozinha pra isso ou qualquer planejamento que não te incluísse, a partir do momento em que decidimos que iríamos ficar juntos eu parei de conjugar os verbos no eu e comecei a usar o nós. 

 Só que parando para pensar isso é botar todo o peso de uma vida nas costas de outro alguém e isso não é certo. E muito embora alguns românticos incuráveis como eu possam dizer que isso é dividir a vida, isso é só mais um jeito de se anular enquanto pessoa e esperar que o outro te carregue e, meu bem, você não merece alguém assim porque não são atitudes nem os pensamentos da pessoa pela qual tu se apaixonou…

 Então tens toda a razão pra ir embora.

 Mas também há razões para ficar e isso é importante de se falar. 

 Tu me deixou confortável o suficiente para não ter que buscar mais nada nem ninguém no mundo. Transformou meus sonhos – meu futuro –  em realidade, em presente. Foi tu o responsável pela felicidade plena na minha vida. O norte. Meu norte para sonhos, planos e para a vida.

 Tua pulseira no braço esquerdo era meu lembrete para o famoso ter alguém para voltar e por mais loucuras que estivessem se passando na minha cabeça no momento, eu nunca fiz nada porque eu finalmente tinha alguém que eu amava e que me amava na mesma intensidade.

 Tu tem razão pra ir… Mas também tem para ficar.

 E com tudo isso eu só tenho a dizer que não sei o que vou fazer sem ti. Que ter que andar que nem bicho solto no mundo de novo não me satisfaz porque eu sei o que e quem eu busco e sorry baby, encontrar outra pessoa como tu será impossível.

 Eu te amo e se tenho ainda alguma coisa que é só minha nessa confusão toda que eu me tornei é a minha convicção do que eu quero pro futuro. E ele é ao teu lado…

Cartografia celeste dos teu olhos

São olhos. seus olhos. olhares. segredos.

São desejos. escondidos. enterrados. abandonados.

São profundos. tão intensos e castanhos como os teu olhos. e tão quentes como as tuas mãos.

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Que seríamos se fosse

E o único som que se ouve é do vento a soprar, sussurrando segredos, sonhos e desejos; sussurrando a velha batida de nossos corações, de nossas almas; fazendo música ao misturar seus gritos com meus gemidos, nossa respiração com o universo, nós com o todo.

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Um ano de blog. um ano de poesia.

Um ano de blog.

Um ano de palavras correndo linhas e ganhando mundos, reencenando história e criando fantasias vividas. Refletindo valores, pessoas, pessoas-valores. Domando pensamentos que corcoveiam em sentimentos do além.

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Amor liquído

Raramente falo sobre isso mas algumas vezes é tão lindo que ultrapassa os limites do meu não dizer. Essa noite tive um sonho que até acordar e retomar a consciência me parecia estranho: diversas mulheres, amigas e conhecidas, me davam conselhos sobre a vida enquanto eu me arrumava como se para um casamento. Sim, eu era a noiva a receber conselhos.

Foi um sonho lindo.

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Tempo(S)

O tempo é sempre um brinquedo nas mãos humanas. Corrijo, ele é como a argila nas mãos do artista, ganhando formas e formatos variados, decorado ou não, se molda para se transformar. Assim conforme fomos mudando nosso jeito de ser e pensar, fomos mudando também nosso meio de contar e recortar o tempo, deixando-o as vezes ao avesso do que deveria ser.

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Escravas, prostitutas e o Brasil político de 1871

      Enquanto a sociedade brasileira discutia a Lei do Ventre Livre – com suas aplicabilidades, desgostos e sabores – e uma visão de abolição da escravatura brilhava nos horizontes destas terras tropicais – um pequeno nem tão novo negócio choca a sociedade: “o imoral escândalo da prostituição de escravas” como é citado no texto Visões de Liberdade (1990).

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Palavra.

E tudo que eu tinha para lhe dar era a minha palavra. Então eu lhe dei.


Te dei minhas frases.
Minhas rimas.
Meus versos.
Meus contos e histórias.
Te dei até meus versos ruins.

Te desenhei em verso os meus sonhos,
te traduzi em contos minhas vontades,
te entreguei em mapa de palavra o meu eu.
E esperei.

E enquanto esperava brotou do meu peito mais e mais palavras, que ansiosas não esperavam nem o tempo de chegar ao papel.

Brotavam como nascente cheia, escorriam pelos dedos e vazavam as pressas sem tempo nem para se organizarem em frases coerentes.

Enquanto esperava fui fazendo mais palavras e dedicando a ti todas elas.
Esperando.
Escrevendo.
Me derramando.
Esperando.
Me traduzindo para a tua língua.
Me escrevendo no teu idioma.
Me poetizando na tua linha.
Me entregando pra tua frase.
E esperando.

Espero.

E desejo.
Que minhas palavras sejam suficientes para te alcançar. E que sejam o suficiente para te fazer voltar. E permanecer.

Eu só posso te dar minha palavra… E foi por isso que decidi te dar todas elas.

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