Depois: a politizar

Feminilidade: reflexões sobre a venda do padrão perfeito

jesz

Nas últimas semanas, venho procurando analisar as fotografias que eu vejo e, não tão surpreendentemente assim, elas vem me incomodando. Mas vamos explicar melhor o meu “estudo de caso”: nas últimas, pelo menos, duas semanas eu venho acompanhando diariamente as fotos publicadas no Instagram; as postadas pelas pessoas que sigo e outras aleatórias que aparecem no app. Especificando ainda mais as fotografias, eu venho observando as fotografias de/sobre mulheres, àquelas postadas por elas mesmas e o que me assustou foi perceber o quanto aquelas fotografias eram idênticas. Isso mesmo! Por mais que sejam milhões de mulheres, cada uma com suas singularidades, elas se utilizavam de artifícios digitais ou modificavam o rosto utilizando maquiagem para chegar à um padrão estético impossível de ser atingido naturalmente.

Essas milhões de mulheres mudavam (e mudam) suas fisionomias para tentar alcançar um padrão imposto a elas por uma sociedade doente. Uma sociedade que ignora completamente as mulheres. Uma sociedade que não se importa com a mulher. Somente com o seu corpo e desde que ele seja como esta sociedade fantasia, se não, tá fodida. Vai fazer dieta, vai tirar essas manchas da pele, vai fazer milhões de procedimentos estéticos para “melhorar”, vai se torturar em frente ao espelho ou olhando as capas de revistas, vai…
Todas estas mulheres, com todas as suas singularidades, têm algo de primordial em comum: todas elas nasceram e cresceram em uma sociedade machista e patriarcal. Todas elas foram ensinadas desde criança por esta sociedade que tinham que atingir o padrão estético para ser feliz; todas elas cresceram ouvindo que precisavam se esconder atrás de quilos de maquiagens, que precisavam usar salto alto, vestidos, que precisavam ser sexys (mas não demais), que precisavam se encaixar num molde e viver sob aquele molde. Todas aprendem desde criança a se torturar psico e fisicamente, porque é necessário que você seja magra, alta, branca, que tenha nariz fino, que tenha o corpo segundo o modelo grego de perfeição (80 – 60 – 80), que tenha o cabelo liso (preferencialmente com leves ondas que o deixe com um balanço e volume adequado), que tenha o rosto e a pele lisos e perfeitos, que seja a própria representação de uma deusa na terra. Ah, e que seja nova! Se tiver mais de 30 anos, que aparente ter menos porque senão…

Essa sociedade vem acabando com a auto-estima de milhares de adolescentes, destruindo diversas auto-imagens de mulheres por toda uma vida e vem ganhando fortunas com isso! Sabe aquele comercial de maquiagem ou aquele sobre depilação? Ou ainda aquele programa de televisão que mostra como se vestir adequadamente ou aquele outro só sobre cirurgias plásticas? Ao contrário do que podem afirmar ou tentam demonstrar, o único objetivo deles é vender e faturar em cima das milhões de mulheres que odeiam o próprio corpo e a própria imagem. Entendam, o patriarcado odeia as mulheres e o capitalismo ama lucrar, e eles juntos formam o casal perfeito para destruição.

Como mulher, e principalmente como mulher em desconstrução de feminilidade, é muitas vezes difícil observar essas fotografias, porque o sistema, do qual eu ainda não consegui me libertar, faz com que eu me compare com essas outras mulheres e tenta me obrigar a odiar meu corpo. É doloroso. Contudo, sei que é ainda mais doloroso odiar o meu próprio corpo pelo resto da vida, me odiar por não alcançar um padrão e, para mim hoje, é extremamente doloroso ver outras mulheres odiando o próprio corpo. Por isso desconstrua irmã, inicie essa caminhada pelo redescobrimento de sua beleza e de sua auto-estima, procure desconstruir essa obrigatoriedade no uso de maquiagens e de tudo aquilo que nos aprisiona, procure se observar e perceber tudo aquilo que te faz bela e maravilhosa.

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