Depois: a politizar

Feminismo de redes sociais: quando é que nos perdemos tanto?

Sempre defendi o Feminismo como minha principal bandeira pelo fato de ver um diferencial no movimento: nós construíamos juntas, discutindo de forma horizontal e não de forma hierarquizada. Defendíamos o fim do patriarcado e com ele, o fim do capitalismo pois entendíamos que um sobrevive graças ao outro;defendíamos as mulheres enquanto casta sexual, defendíamos e problematizávamos nossas vivências e escolhas, contudo problematizar apresenta uma enorme diferença de negar as vivências e excluir o que se mostrava diferente da teoria.

Tenho lido e visto, a muito tempo, coisas absurdas e irreais que vefilosofia-sofismo-e-sofistasm acontecendo neste feminismo apresentado nas redes sociais. Um feminismo que excluiu mulheres por apresentarem uma vivência diferente do ideal da teoria, que exclui simplesmente pelo fato de, no calor de uma discussão, ter usado a palavra errada ou não ter sido melhores sofistas que as outras. Aliás, fazendo um bom comparativo, estamos parecendo sofistas gregos (que o mais impressionante discurso vença!).

Parece-me que esquecemos de construir juntas e estamos competindo para ver quem tem a teoria melhor, para ver quem discursa melhor. Sabem de uma coisa? Essas competições pouco importam para a mulher que é agredida dia-a-dia pelo marido ou para a garçonete que é assediada todo dia naquele bar. Estamos fazendo o que eu mais critico em todo movimento alinhado à esquerda: ficando no discurso acadêmico e esquecendo a base. Será que é tão irreal assim sair um pouco deste academicismo competitivo e ir para o mundo real?

Quando eu pergunto, quando vamos colocar o Feminismo em prática e abraçar a mulher do lado, sem julgamento e nem exclusão? 

Caralho, nós enquanto movimento não estamos fazendo autoanálise e quem esta perdendo com isso são as mulheres que sofrem todo dia as agressões do mundo patriarcal e que nem sabem o que é patriarcado!

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Nós não podemos ficar presas em um discurso e esquecer das diversas realidades das irmãs, isso acaba ficando bem feio mana!

Quando é que vamos aprender que a teoria é um ideal, mas que no mundo real ela é a utopia, não a realidade? Que o ser humano tem singularidades e que isso tem que ser levado em conta? Nós não somos robôs perfeitos que se encaixam perfeitamente na teoria descrita pela fulana ou pela ciclana, NÓS TEMOS PARTICULARIDADES E VIVÊNCIAS DIFERENTES QUE NOS MOLDAM! Quando vamos conseguir olhar a outra sem julgá-la por causa da teoria que ela mais se identifica ou pelo fato dela não se identificar com nenhuma?

Estou cansada deste tipo de Feminismo, mas sabe o pior? Eu não tô conseguindo ver outro!

*desabafo publicado originalmente em minha página pessoal do Facebook.
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