Depois: a politizar

Dançar faz bem para a alma!

A dança sempre foi algo constante e importante dentro da minha vida, sendo ela a principal causa de muitas das minhas alegrias e dores. Marquei os anos da minha infância e adolescência com sons, ritmos e passos marcados, com horas infindáveis de ensaios e com uma urgência em transmitir o que sentia através da arte. Foi assim que cresci sabendo que a dança sempre seria meu refugio contra o mundo e suas pressões.

Contudo a vida cobrou um preço por este conhecimento: com o passar dos anos, a dança gerando-me algumas lesões e para evitar o pior, tive que deixa-la. Os ensaios, as apresentações, os palcos acabaram. E vi meus últimos dias de adolescência irem embora junto com uma das coisas que eu mais amava em minha vida, a dança.  O passar do tempo, a partir dali, foi marcado pelo relógio e pela infindável falta de tempo que sempre existiu com os adultos e que sempre lhes exigiu.

Faculdade, trabalho, família, namorado. Responsabilidades de antes que eu nunca tivera, agora tinha que equilibrar e conseguir dar a atenção suficiente para tudo e todos. Ao longo deste período esqueci de mim e das minhas necessidades, fazia tudo correndo e procurava dar atenção à todos, porém o peso de não dar atenção e nem dedicar tempo para mim mesma fez-me ficar doente. Acabei desenvolvendo um quadro inicial de Depressão e após várias conversas com psicoterapeutas descobri que tinha que diminuir um pouco o ritmo e tratar de mim mesma.

Neste período, tentei voltar a dançar mas a experiência foi horrível. Parecia que eu havia perdido a habilidade de transcender através de gestões e música, além de que as pessoas ao meu redor pareciam amargas e extremamente competitivas, tornando o conjunto todo um grande desastre.

Então, com ajuda e apoio parei, respirei fundo e recomecei. Faculdade, família mais próxima e um relacionamento saudável. Esses foram os primeiros passos que dei para reorganizar a minha vida e reorganizar minha mente de forma saudável.

Foi como errar uma coreografia, parar e reinicia-la. Tive que rever os passos, ajustá-los ao ritmo certo, ensaiar muitas vezes os mesmos passos para finalmente juntá-los numa única coreografia. Creio que nunca parei realmente de dançar, só estava no ritmo errado.

Um tempo depois surgiu a oportunidade de voltar a fazer dança e meu coração novamente se encheu de alegria. Foi como se eu finalmente tivesse encontrado o equilíbrio quase perfeito para a minha vida, como se uma lanterninha tivesse se acesso dentro do peito e eu, novamente, brilhasse. Quem conviveu comigo neste período sabe o quão empolgada eu estava com isso e o quanto eu tenho surtado de alegria após cada aula.

Escrevo hoje este texto cheia de dores musculares, pois meu corpo estava desacostumado e muito duro por conta do tempo em que fiquei parada, mas meu olho brilha e minha alma está novamente acalorada. Os ensaios vem sendo experiências muito valiosas para mim, tanto em questão de redescobrir meu corpo enquanto bailarina como em novamente conviver com pessoas que amam o dançar e o fazem independente de idade ou de habilidade.

A dança, mais do que atividade física, se mostrou um verdadeiro tratamento para mim, pois hoje compreendo que sempre foi através dela que consegui ser eu mesma e de tratar a mim mesma com carinho. Os gestos corporais traduzem o que eu sinto, a música e o ritmo permitem que eu fale aquilo que eu quero sem a necessidade do verbo, e acima de tudo, a dança me permite extravasar os sentimentos que tanto habitam e coabitam em mim. Parafraseando Isadora Duncan, hoje sou a manifestação luminosa de uma alma equilibrada e feliz.

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