Depois: a politizar

Porque eu decidi largar os anticoncepcionais

Fazem aproximadamente 7 anos que faço uso de anticoncepcionais, passei por toda a minha  adolescência sem saber como meu corpo realmente funcionava sem a adição de hormônios artificiais e hoje, finalmente, decidi interromper o uso.

Um movimento recente e que vem ganhado força com as redes sociais é o combate indiscriminado das pílulas anticoncepcionais. Diferente do que você provavelmente ouviu a vida inteira, ela não é recomendada para todas as mulheres e nem deveria ser vendida sem receituário ou sem consulta e avaliação de uma/um ginecologista, mas como ela tornou-se uma opção barata e super comercial, seu uso tornou-se mega indiscriminado.

Eu comecei a tomar a pílula com 14 anos, depois que a menarca desceu. Minha mãe me levou correndo para uma consulta com a sua ginecologista e, mesmo em consulta, recebi poucas explicações sobre a pílula, só que deveria toma-la para não engravidar e para diminuir as espinhas. Assim iniciei neste vida de hormônios artificiais sem nem ao mesmo compreender o quê eles faziam no meu corpo e também sem conseguir compreender como era realmente o meu corpo.

Passei minha adolescência inteira e o inicio da minha vida adulta sem compreender como realmente é o meu corpo.

Aos 16 anos comecei a namorar e embora tivesse conhecimento das necessidades de se usar camisinha, nunca havia me preocupado pois 1) eu tomava pílula anticoncepcional, logo não engravidaria, 2) meu namorado reclamava, dizia que era como “comer bala com papel” e 3) era um relacionamento monogâmico, então não haveria problemas. Acredito que por alguma benção divina, nada nunca deu errado CONTUDO eu estava completamente errada sobre o uso da camisinha/preservativo e sua ligação com o anticoncepcional. E bem, com a questão da monogamia parece que me enganei também, ó deusa… opa, outra história!

Sobre a TPM neste período: eu tomei a pílula Selene durante todos estes anos e, muito embora ela não me desse muita cólica, as enxaquecas me liquidavam durante uma semana ou mais. E sobre o preservativo versus a pílula anticoncepcional: é sempre necessário lembrar e muito importante lembrar de usar camisinha em todas as relações! Existem doenças sexualmente transmissíveis extremamente graves e que só podem ser evitadas com o uso do preservativo. O anti só previne a gravidez, a camisinha previne isso e outras várias doenças. Se informe e USE CAMISINHA SEMPRE!

Foi depois que troquei de ginecologista, que finalmente comecei a tirar as minhas dúvidas. O fato de me sentir mais a vontade com um médico que não atendia a minha mãe fez com que eu parasse e falasse abertamente sobre sexo e relações, e foi também quando resolvi trocar a pílula pela injeção hormonal. Foi uma experiência bacana não ter que ficar tomando aquele remedinho todo dia, contudo foi uma bomba de hormônios de me deixou bem mal. Passei a ter muitas dores na região dos óvulos, a ponto de berrar de tanta dor, e a minha TPM se intensificou,  trazendo as terríveis cólicas no lugar das terríveis enxaquecas.

A entrada na Universidade e meu envolvimento com o Feminismo me fez mudar radicalmente muitas coisas na minha vida: terminei um relacionamento abusivo, admiti para mim mesma que era Bissexual e que não havia nenhum problema nisso, saí com mulheres e principalmente, mudei o meu olhar sobre os medicamentos anticoncepcionais. Aliás, foi graças ao Feminismo que entrei em contato com mulheres e tive a oportunidade de discutir os benefícios e os malefícios do uso continuo e indiscriminado dos anticoncepcionais. E foi a partir desses discursos que mudei meu posicionamento.

As pílulas anticoncepcionais podem causar desde enxaquecas extremamente graves até AVCs e paralisias. Existe uma página no Facebook  (Vítimas de Anticoncepcionais, unidas a favor da vida) onde milhares de mulheres contam sobre os efeitos desses medicamentos sobre seus corpos. O site Hypeness também fez uma matéria excelente sobre os (ab)usos em relação à pílula e sobre o silêncio dos fabricantes frente a todos os efeitos.

Neste período, voltei a conversar com meu ginecologista e falei-lhe da vontade de parar com estes medicamentos porque queria conhecer o meu corpo. Ele me influenciou a não parar mas, a passar para as minipílulas – anticoncepcionais que possuem apenas um dos hormônios e que são, portanto, mais fracas em quantidade hormonal que as normais – e futuramente fazer o implante anticoncepcional de última geração que teria uma carga hormonal mais baixa e perduraria por até 5 anos, além disso a questão custo x beneficio do tal implante era melhor. Embora tenha ficado animada com a ideia, a questão financeira me barrou e deixei isso para lá.

Contudo no final do ano passado, comecei a ter sérios problemas com o uso da minipílula. Comecei a ter sangramentos muito intensos e longos e dores mais fortes ainda. Após sangrar por mais de 20 dias (isso mesmo, V-I-N-T-E) voltei correndo das férias e tentei encontrar uma consulta de emergência com meu ginecologista. Ele estava de férias (era início do mês de Janeiro/2016), então consegui com outra médica um consulta. Fizemos mil exames e nada apontava para o problema, logo ela me receitou parar imediatamente com as minipílulas e voltar a tomar os anticoncepcionais normais.

Hoje, depois de três meses, resolvi finalmente por em prática meu plano de para com os anticoncepcionais. Não quero mais saber de hormônios artificiais agindo e mudando o meu corpo, quero saber como ele funciona de verdade! Hoje seria o terceiro dia de uma nova cartela, contudo não estou e não estarei mais fazendo uso delas… Acredito que agora, com 21 anos, conseguirei compreender meu corpo e meus processos. Não me incomodo a algum tempo com o uso de preservativo e meu companheiro também não, inclusive ele foi muito solidário neste processo e nunca propôs que eu voltasse a fazer uso ou sugeriu algo parecido.

No próximo ciclo, escreverei aqui como eu senti as mudanças e como me senti frente à elas.

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