Esperei teu beijo por quase um século. Mas te tive por apenas alguns minutos…

Não sei quantas vezes já ouvi a velha desculpa do “isso é novo para mim” mas desta vez não cedi; não cedi porque teu corpo tremia quando nos abraçávamos, não cedi porque tua respiração se alterava quando eu estava perto, não cedi porque teus lábios pediam os meus. Segui.

Segui as curvas dos teus lábios, o rastro do teu perfume e a cor dos teus olhos. Segui até alcançar… – mas que bobagem, tu que me deste! – Alcancei meus lábios nos teus, minha mão na tua nuca, tua cintura no meu abraço e teu beijo… ah, doce beijo que eu a tanto queria e esperava.

Ainda ouço tua gargalhada gostosa depois do primeiro. Lembro da discussão política do que aquilo representava depois do segundo. O impulso dos corpos no terceiro. A recusa do quarto. A paixão do quinto. E o fim.

Teu perfume em mim, teu gosto na minha boca e teu olhar confuso de quem não sabia ao certo se sedia ao desejo ou mantinha-se firme numa abalada convicção.

“Dou-lhe todo o tempo que precisar para voltar…” foi o que eu disse, mas minha vontade era deitar-te ali na cama, despir-te das vergonhas e inseguranças, das políticas, dos discursos e ver-te nua, vertendo gozo e delírio enquanto minha boca – e língua – desbravava tua pele macia e descobria, de uma vez por todas, a fonte de tão doce cheiro que há em ti.

Ainda te espero. Não porque desejo contrair matrimônio ou compromisso – embora saibas que tu é a mulher em minha vida – mas porque te desejo. Toda. Inteira. Entregue.

E assim vou seguindo, enquanto complicas o desejo com discussões e reflexões, enquanto – talvez – lembre-se de nossos [a]braços e do calor dos nossos corpos.  Quem sabe a lembrança do beijo e do calor te faça voltar, para ao menos encerrarmos isso de maneira correta: nuas, suadas e gozadas.

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