Era impossível imaginar que um dia correríamos um para os braços do outro, que sentiríamos saudades do toque um do outro e, ainda mais impossível, que nossos corações aceleracem tanto um pelo outro. Mas o impossível aconteceu e, naquela madrugada, realizamos o impossível um no corpo do outro.

Nos amamos.

Mas foi difícil conceber tudo que aconteceu, era difícil compreender os porquês se nem ao menos queríamos mais que o calor do outro por algumas horas. Se nem ao menos queríamos conscientemente a companhia um do outro de forma tão íntima. Éramos amigos. Saíamos juntos. Bebíamos juntos. Ríamos juntos. Cantávamos juntos. Caíamos nas esquinas de bêbados juntos. E era só . Até que algo aconteceu e tua língua visitou o céu da minha boca e de lá nunca mais quis sair. E eu não queria que ela saísse…

Mas um dia ela teve que sair e nossa última noite não poderia ter sido menos do que merecíamos. Foi lindo. Digna dos nossos anseios e dar nossas vontades. Ali, naquela dia que começou na noite e terminou apenas na outra noite nós nos amamos como nunca podemos. Aquelas paredes foram testemunhas de um amor tão grande, mas tão grande, que não suportou a ideia de não podermos ficar juntos e se escondeu em nossas almas.

Eu sei que ele ainda está ali. Você também. Mas já que os corpos não podem se tocar, o melhor foi guardar esse amor num canto com as boas lembranças do que fomos e tocar a vida a diante.

Mas te digo, sempre estarei aguardando o retorno da tua língua no meu céu e da nossa cama ao paraíso. Até lá guardo-te em imagens refletidas nos espelhos da alma. Te {a}guardo sempre.

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