Durante: a vida

Vento

Hoje não ventou.

Minha alma ainda continua num estado anestesia, vendo o que acontece ao meu redor sem saber como reagir. Vendo um mundo inteiro de sonhos e felicidades indo ao chão sem capacidade de tentar segurar ou, ao menos, remontar o que ficou.

Tu me deixou navegar no mar do vazio sem remos e não há mais vento para içar as velas. Não há nem mais as duas pequenas estrelas que me guiavam.

Estou a deriva.

Rezando.

Implorando a volta do vento nem que seja um temporal para que eu, enfim, possa voltar a navegar. Para que eu possa sair deste estado de semiconsciencia na qual me encontro, para que haja alguma reação. Qualquer reação.

Quem me olha afirma que encontro -me em paz, finalmente nas águas calmas da vida. Mal sabem eles que a calma aparente esconde uma caverna escura, vazia e fria e é lá onde me encontro pois se meu corpo aprendeu a boiar não posso dizer o mesmo do meu coração, que jaz pesado afundado em algum lugar deste oceano.

Quero gritar pela volta dos ventos.

Quero gritar até haver temporal.

Quero.

Mas não consigo.

Hoje não há vento e o meu coração está sem remos para procurar a direção. 

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