Domingo de manhã, 8:00.

Despertou. Café para dois. E paz. A tranquilidade de poder amar sem precisar se preocupar com as incertezas das ruas ou com as inverdades ditas por línguas más intencionadas era libertador. Amar novamente era libertador.

Ele chegou de manso, negando até os últimos segundos que aquela história era real. Negando que era a boca um do outro e o coração um do outro o que mais queria. Brigou. Discutiu. Bateu o pé. Chorou. Bebeu. Cantou. Negou. Amou. Negou mais uma vez. Escreveu. E quando tudo parecia levar para o caminho da dor e da rejeição eis que ela surge como uma luz no fim daquele túnel e o carregando pela mão mostra-lhe que, apesar de inserto, o futuro lhes aguardava para que vivessem juntos. Quanto tempo? Bom, isso era inserto… mas não importava quanto tempo haveria pela frente, já havia perdido dias demais negando o que sentia por ela.

Ela estava disposta a tentar novamente, a se deixar encantar novamente, a se apaixonar novamente. Queria paz para a vida e para a mente, seus dias já tinham sido tortuosos e cansativos demais nas últimas semanas e o que mais desejava era que aquela montanha-russa de acontecimentos acabasse para tivesse um minuto de tranquilidade. E paz era o que ela mais desejava. A paz e a doçura daquele amor que fora forjado aos poucos entre desejos e negações, que foi aumentando a cada novo problema, a cada nova discussão e à cada carícia que haviam trocado. Queria ter a sorte de poder dizer-lhe abertamente sobre o amor e contar-lhe que cada frase que escrevia era dedicado à ele, que cada verso que surgia em sua cabeça era em homenagem a ele e que até mesmo as músicas que ouvia eram sobre ele.

Ah, ela sabia do que era feito o amor. Era feito dele. E ele sabia do que era feito o amor, era feito dela. Não havia outra explicação.

E depois de tanto navegar, tanto lutar e escrever e gritar e sufocar e cantar e transcrever e tentar e esconder e gritar eles finalmente puderam amar. E amaram como se o mundo tivesse sido feito só para os dois se encontrassem e se amassem. E aquela cena dos dois dividindo as cruzadinhas do jornal, em pleno domingo de manhã, com suas xícaras de café e a caneta na mão foi o final feliz que o universo, como autor de tantas histórias, resolveu lhes dar. Mas um pequeno sorriso surge no rosto deste autor, o segredo desta história era que este nao era o final e sim o belíssimo começo daquela história dos dois. E ah, como eles mereciam este começo.

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