Durante: a vida

Désagua

E meu peito se enche

transborda daquilo que aceito

transborda daquilo que nego

e quero, transborda de ser.

Meu olhos se enchem

e transbordam

daquilo que já se foi,

do que ainda é

e do que – talvez – nunca será.

Minhas mãos – tremulas – atentas

percorrem meu próprio corpo a procura de alento.

“se sou tempo Dela, é aqui que encontro colo.”

Deságuo.

Em mim mesma.

Deságuo

Do passado, em fortes dores e saudades.

Do presente, em razão e tranquilidade.

Do futuro, que as suas mãos pertencem.

Deságuo porque sou Dela

e sendo Dela, não choro, deságuo.

volto às minhas origens,

Ora iê iê ô minha mãe

Me acalanta no teu colo,

recolhe meus pesares

me cobre com tuas águas

me lava, me cura, me trata

e me deixa correr límpida como tuas águas são.

Ora iê iê ô mãe

que como sou tua,

deságuo.

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