Durante: a vida

Relatos de uma quarta a noite.

Podia ser alguma cena de filme romântico, daqueles bem melosos, talvez inspirados nos livros do Nicholas Sparks mas éramos só nos dois numa noite de quarta-feira.

Queria poder ter registrado aquele momento em uma fotografia: nós dois ali, eu sentada no chão com os joelhos elevados e cruzados diante do rosto, com os olhos brilhando a te observar e absorver enquanto tu se perdia entre notas e cifras, cantando, enquanto os teus dedos habilidosos corriam as cordas da guitarra. Naquele momento, enquanto meu olhar deslumbrado se perdia em ti, o teu brilhava de nostalgia com o instrumento e as lembranças e quase sempre tua expressão era de puro prazer.

O jeito como seguravas com paixão a guitarra, o tesão estampado na cara e os dedos a correr de lá para cá pelas cordas não podia ser comparado a quase mais nada, exceto a quando trocavas a guitarra pelo meu corpo. A paixão, o tesão e amor eram os mesmos, e nas tuas mãos eu produzia música. Mas ali, naquele exato momento, eu só era espectadora da maravilha que se instalava em minha sala. Ali eu só absorvia teus olhares e teus sorrisos, teus sonhos futuros e passados, e deliciava-me ao som daquele jazz.

Ali, enquanto me deliciava, eu fui conhecendo um pouco do menino apaixonado e sonhador que agora também sonhava ao meu lado; fui fazendo notas mentais dos teus trejeitos: daquele sorriso de canto, do olhar concentrado ao buscar as notas, do queixo travado quando se perdia em algum pensamento e no sorriso bobo que vinha logo que saias daquele teu mundo e voltava para o nosso. Nosso. Vou confessar que pensar nisso me arrepiou mas perceber que agora, finalmente, havia o nosso nas minhas palavras e na minha vida foi sublime. 

E enquanto eu bebia aquela xícara de café, tu ocupava a minha vida com sorrisos e música. Tu que já havia ocupada minhas linhas e meus textos, minha cabeça, minhas poesias, minhas lágrimas, meus sorrisos, meus suspiros e gemidos, agora ocupava finalmente a realidade dos meus dias. Das minhas semanas. Da minha casa. E o principal: preenchia a minha vida.

Se fosse possível, teria registrado o momento numa fotografia, não consegui. Mas eternizei-o nas minhas linhas, assim como já o tinha feito contigo muito antes de sermos nossos. 

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