O tempo é sempre um brinquedo nas mãos humanas. Corrijo, ele é como a argila nas mãos do artista, ganhando formas e formatos variados, decorado ou não, se molda para se transformar. Assim conforme fomos mudando nosso jeito de ser e pensar, fomos mudando também nosso meio de contar e recortar o tempo, deixando-o as vezes ao avesso do que deveria ser.

Eu que de tanto em tanto também me refaço, busco hoje sentido para o meu contar. Conto-o a partir das luas para entender o me sacra, o que liga a natureza mãe e ancestral. Conto-o também a partir das lembranças, eternizando segundos e disparando meses. Conto-o conforme meu espírito, quando transformo alegria e vivacidade em semanas e tristezas em minutos. Recorto-o para que seja assim, um calendário meu com o mundo e não algo esquematizado, pensado e pronto que o sistema me lança e eu, obediente, acato.

Assim já comemorei a virada de ano em metade de Janeiro ou até mesmo em alguns Agostos, quando as folhas do dito calendário já começam a amarelar. Também já passei dois anos em um mesmo ano e alguns meses que se passaram em apenas uma semana.

O tempo, tão relativo, que já me incomodou por não passar mais rápido hoje me atropela e me faz perceber a mágica dos instantes.

Eu que esperava tanto a chegada dos 20 aniversários já os vejo correr em direção à casa dos 20 e tantos, como se o tempo assim também me moldasse e brincasse ao ver meus rosto ganhando marcas.

Hoje, pouco espero… Vejo-o passando, compreendo-o e tomo de lição suas marcas. Planejo a frente, danço com a atualidade e recordo, as vezes nem tão saudosista, o que já se foi. Desaprendi a me preocupar com sua passagem, com seus marcos estáticos e imprefeitos, com sua contagem padrão.

Não o busco mais em relógios nem em calendários, acabei descobrindo que moldá-lo aos meus quereres e ao meu cotidiano consigo agora viver mais. E melhor.

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