E o único som que se ouve é do vento a soprar, sussurrando segredos, sonhos e desejos; sussurrando a velha batida de nossos corações, de nossas almas; fazendo música ao misturar seus gritos com meus gemidos, nossa respiração com o universo, nós com o todo.

Não ouso dizer que o Universo é perfeito em suas ações e acontecimentos mas não se pode negar a realidade: somos o vento a soprar as velas um do outro.

Que seria dessa capitã se não houvesse um lugar a se chegar, uma terra a se descobrir ou um tesouro a escavar? Que seria de mim se não houvesse mar para se navegar ou mundos a descobrir? Seríamos nada, somente mais um vazio num mapa, algo inexistente e nem sonhado. Seríamos só mais um pedaço do tecido que compõe o mundo, um traçado qualquer do artista, uma palavra na poesia mundana.

Existimos somente pela descoberta um do outro, pelo fascínio um com o outro, pela insistência em sermos algo além da plenitude de nossos próprios vazios. Somos o resultado de escolhas feitas nossas e dos outros e de suas consequências, de assuntos bem ou mal mas resolvidos e dos erros que nos mantiveram no mesmo lugar.

Existimos porque assim foi decidido, mas amamos pelo resultado certeiro dos acasos.

Que seria se não fosse o coração a disparar.

Se não fosse o amor a perceber.

O beijo a acontecer.

A vontade a se deliciar.

O querer no ficar.

O para sempre no existir…

Que seria de nós dois se não fossemos nós.

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